Crônicas rápidas

Gato Vilão X Herói Cão




Lucas Gatollini





“Se não fosse o instinto de um cachorro da raça golden retriver, a família Frazer não teria sobrevivido a um incêndio que destruiu toda sua residência na cidade de Lake Worth, no estado da Flórida (E.U.A). O acidente teria sido promovido pelo gato da casa.” (Globo.Com, 11/02/10).



Caríssimos companheiros, estou escrevendo esta carta para relatar o ocorrido de ontem, contando o que aconteceu realmente.

Como sabem, faço parte da família Frazer, juntamente com um cão, o Bubba. Essa família nunca cuidou de mim como cuidou de Bubba. Nunca brincaram de senta-se-finge-de-morto-rola comigo, nunca brincaram de frisbee, nem me levaram para passear. Tudo que fazem é dar ração e reclamar quando faço xixi no lugar errado. Nem nome tenho!

Até que tomei a decisão: matar o sarnento! Para tal coisa, bolei um plano: destruir a residência com o bicho dentro.

Um dia, me veio a oportunidade, durante uma madrugada, passeava eu pela casa, enquanto Bubba, o senhor e a senhora Frazer estavam dormindo. Encontrei uma vela acesa no meio da sala. Fui lá. Derrubei-a. Simples assim. A casa começou a pegar fogo.

Porém, encontrei também o inesperado: Bubba havia acordado e, para piorar, deu uma de herói, começou a latir, a família acordou, o que significaria: plano arruinado!

E foi assim que, sem querer, tornei o Bubba mundialmente conhecido e eu também, só que como o vilão da história. Mas lembrem-se: antes eu fui injustiçado e discriminado pela família, pelo fato de ser um gato e não um cão. Deixem-me entrar na associação!



Assinado:

Semnome (sem nome)

Remetente: Gato

Destinatário: A. M. I. G. O. S (Associação de Muitos Injustiçados Gatos Organizados e Sociais)




Coelho dá sorte




Bruno Picchi





“Candace Frazee reuniu a maior coleção de produtos relacionados a coelhos do mundo, com mais de 26 mil objetos. A coleção inclui coelhos de pelúcia, antiguidades e bonecas. Ela conta com a ajuda do marido, Steve, que deu início à mania quando presenteou sua esposa com um coelhinho no Dia dos Namorados”. Folha Online (2/04/2010)



Era só mais um 12 de junho quando, sem ideia, Steve viu alguns coelhos de pelúcia e pensou em dar um deles pra namorada, mas por que um coelho? Não era páscoa... A resposta correta é que Steve era um cara enrolado e sem ideias, e como sempre deixava tudo para a última hora e não sabia o que dar, então comprava o que estava em promoção para ela. Comprou o boneco no dia 11 de junho e, para comemorar a data, marcou um jantar com ela em sua casa.

Como sempre, ele arrumou o jantar na última hora e, para comer, pediu o delivery. Notavelmente não tinha ficado bom, mas tudo bem, Steve sabia que a namorada não era exigente e não ligava para esse tipo de coisa.

Ela chegou atrasada, uma hora e meia depois do previsto. Jantaram, e na hora da sobremesa, por entre os morangos, lá estava o coelinho. Steve sabia que ela não iria gostar, mas estava errado. Candace adorava coelhos, mas quando criança sua mãe não a deixava ter um de verdade. Ele ficou muito feliz porque tinha certeza de que ela tinha adorado. Candace levava aquele boneco para onde quer que fosse, e o apelidou de “Lucky”.

Steve decidiu pedir a mão dela em casamento, preparou uma surpresa coelhística. Mandou uma encomenda para a casa dela, que tinha um grande coelho de pelúcia com a voz dele gravada: “Você aceita se casar comigo?”.

Um ‘Sim!’ foi o que ele ouviu quando atendeu ao telefone. Candace aceitaria com uma condição: “Quero fazer uma coleção de coelhos e quero que, em cinco anos, ultrapasse 26 mil”. Steve, meio sem jeito, concordou, e prometeu que o faria.

Casaram-se e a coleção de coelhos crescia a cada dia, mas ela apenas se importava com o amor dos dois, que crescia a cada dia.




Cada um tem seu dia de estresse




Maria Júlia





“Veja São Paulo testou 100 telefones públicos instalados nos quatro cantos da capital. Resultado: 39 não funcionaram” (7 de Abril, 2010)



Numa tarde de terça-feira começou a agir não uma simples brisa, mas uma ventania das mais fortes, daquelas que avisam que depois vem tempestade.

Neste momento, eu estava na rua sem carro, fazendo as compras do dia, quando me dou conta de que preciso ligar urgentemente para casa para pedir que a moça fechasse tudo. Pego minha bolsa à procura do meu celular. Quando finalmente o encontro, ele apita dizendo que a bateria acabou. Aquilo não podia estar acontecendo comigo. Saí correndo atrás de um orelhão. O primeiro que encontro estava com uma fila enorme. Eu não podia ficar ali esperando, pois eu tinha que ligar para casa, não podia pensar que tudo em minha casa poderia estar voando!

Então mais do que depressa, corri atrás de um orelhão. Todos estavam com fila. Corri mais três quarteirões quando, finalmente, encontro um sem fila, mas nele havia uma placa “ORELHÃO QUEBRADO”.

Quase sem esperança, aflita e, ao mesmo tempo, nervosa, andei mais dois quarteirões, passei por cinco orelhões, mas todos estavam quebrados.

Já cansada de tanto andar, parei um pouco, sentei no chão sem saber o que fazer, quando de repente um vento forte bate em meu rosto fazendo com que eu me vire. Quando me dou conta, vejo que estava na frente de minha casa e que todas as janelas estavam fechadas.




IMPOSTO PARA TUDO


Gabriel Ribeiro



“IPTU, IPVA, IR, ISS e por aí vai. Qual é o brasileiro que não conhece todas essas siglas e fica preocupado com elas? [...]

O brasileiro trabalha 147 dias para pagar impostos [...]”

Olá! Meu nome é Josevaldo e sou um trabalhador comum do Brasil. Trabalho como economista e ganho R$3.500 por mês. Com este dinheiro, consigo sustentar minha mulher, Fátima, e meu filho João Vítor.

Eu adoro ler jornal pela manhã e ontem, vi uma noticia que me chamou a atenção: “Brasileiro trabalha 147 dias por ano para pagar impostos”.

Então, fiquei indignado. Eu, um modesto trabalhador mineiro, que trabalha 270 dias por ano, gasta mais da metade do meu salário pagando imposto? Assim não dá!

Então, fui ao Palácio do Planalto em busca de respostas. Por acaso, entrei em uma sala onde o presidente Lula discursava: “Companheiros e companheiras, estou aqui para dizer que o valor do imposto não vai mudar”. Fiquei estupefato. Então eu disse: “Já chega, vou morar na rua, onde não tenho que pagar impostos”

Então “virei” pobre. Mas, um dia desses, passou um carteiro e entregou-me um envelope de imposto. Perguntei que era aquilo. Ele respondeu: “Taxa pela ocupação da rua”.




Cuidado com as árvores


Felipe Carlone Lucio

Homem de 28 anos sofreu traumatismo craniano após ser atingido por uma árvore na tarde de domingo (14/03/10)



Não acredito! Já basta me preocupar com trânsito, assalto, família, emprego, e tantas outras coisas e agora devo me preocupar com as árvores. Assim não dá!

Estava eu andando num trecho da Av. Brasil quando, do nada, um raio caiu bem na árvore do meu lado, esta caiu em cima de mim e eu caí em cima de uma pedra (maldito efeito dominó).

Agora estou eu aqui na UTI vendo A Grande Família e respirando com a ajuda de um chato aparelho. Sem contar que eu tive de fazer uma cirurgia, pois tive uma hemorragia interna no eixo do osso central da direita.

Eu prometo que quando eu sair daqui nunca mais vou passar por baixo de uma árvore e eu vou reclamar com a prefeitura pra tomar alguma providência com esses raios que ficam caindo e matando a gente.

E mais um aviso, tome cuidado com as árvores, pois elas podem ser perigosas.




Problema pra cachorro




Giulia Travaglini



“Proprietários terão que tirar passaporte para cães e gatos”

“Cães e gatos precisarão de passaporte para viajar para o exterior e ate de um estado para o outro”



Estou acabando de arrumar minha mala, pois eu e meu cachorro vamos para Nova York visitar minha filha. Aqui está um calor que só, mas lá está bem, bem frio.

Manhã de quarta-feira, chegamos ao aeroporto eu meu cachorro e como sempre a fila do Check-in estava enorme! Eu não tinha saída a não ser enfrentar toda aquela fila.

Depois de 1hora e 30 minutos de fila chega a minha vez.

Eu digo para a balconista:

- Estou levando carga-viva. É o meu cachorro.

A balconista então responde:

- Tudo bem, posso ver o passaporte dele?

- Como assim o passaporte dele? Você quer dizer do meu cachorro? - Sim.

- Por acaso agora os cachorros têm que ter passaporte?

E novamente a balconista responde que sim.

- Como assim, agora eu tenho que fazer um passaporte para meu cachorro para que ele viaje comigo? Ele tem apenas 7 meses, eu tenho que levá-lo porque não posso deixá–lo em casa sozinho. E tenho que embarcar neste vôo, pois tenho que ir ver minha filha. Na minha opinião, o cachorro não precisa de passaporte nenhum, pois ele é apenas um cachorro. Não pode fazer nada de mais. E outra coisa, para que um passaporte?

Então eu insisto para a moça.

- Eu preciso ir imediatamente! Minha filha está me esperando em Nova York.

A chata da balconista diz novamente:

- Você terá que fazer um passaporte para ele, caso queira levá-lo.

Depois de abrir o maior barraco, fui expulsa do aeroporto. Voltei muito triste, chateada e brava por não conseguir visitar minha filha e isso tudo foi por causa da chata da balconista.

Outra coisa que também me deu muita raiva foi ter pegado toda aquela fila para nada.

No final consegui viajar, mas depois de duas semanas.



Moral: Uma coisa eu aprendi, sempre quando for viajar, devo verificar tudo com ou sem cachorro.




Chave rumo à aposentadoria


Lucas Atalla

“Chaves de ignição a caminho da aposentadoria”

“Desde 2006 os carros estão começando a utilizar cartões com botões para travar e destravar as portas e ligar o motor. Como os controles remotos convencionais.”



Eu, a chave que era, não estava nada feliz. Meu dono estava me levando para a concessionária, e o pior era que, chegando lá, ele me substituiria por um cartão metido a controle remoto. Eu não deixaria assim. Imediatamente coloquei meu plano em prática. Desliguei o carro, caí da ignição e então rolei para debaixo do tapete, onde fiquei observando ele me procurar por um bom tempo até me achar e ligar o carro novamente. Pouco depois eu pifei o motor e, quando ele saiu do carro para ver o que havia acontecido, eu caí novamente, mas dessa vez saí do carro e quase caí no bueiro se ele não tivesse me capturado e me levado à força de volta para o carro. Quando ele me colocou novamente na ignição, resisti bravamente mas, por fim, ele conseguiu dar partida no carro. Meus esforços tinham acabado em vão.

Chegando à concessionária, meu dono logo me substituiu, com certo alívio no rosto. A última coisa que vi antes de ir ao ferro-velho foi aquele cartãozinho me olhando com arrogância. Se você for substituir sua chave de ignição, não deixe que ela saiba disso.





Rato gordo prejudica pesquisas médicas


Vanessa

“Um aspecto ronda o mundo da pesquisa biomédica: o rato gordo, ou os roedores de laboratório metabolicamente mórbidos, para usar a terminologia de um artigo recente na revista científica. De acordo com o estudo, camundongos e ratos sedentários e acima do peso, correspondente a maioria das cobaias criadas hoje, seriam péssimos análogos, do organismo humano normal, o que poderia atrapalhar um bocado os testes de medicamentos e terapias nos bichos.”

Já que os cientistas nos ofendem tanto, nos dizendo que nós, os ratos, somos muito gordos, por que eles não acham algum animal ou outro ser desse enorme planeta para fazer essas experiências?

Além de nos sacrificarem, os seres humanos ainda reclamam que estamos obesos!

Ainda bem que nós não somos “compatíveis” com os seres humanos, se é isso que eles querem dizer.

Esses cientistas poderiam nos deixar descansar por todas as nossas vidas, com água, comida, com nossa montanha russa e etc.

Falo isso principalmente porque perdi a ratinha mais bonita de todo esse mundo. Ela era diferente, mas ao mesmo tempo igual aos outros ratos e ratas.

Continuando a história, eu a perdi no momento em que dois seres a retiraram da gaiola onde estávamos muito felizes. Eu, sinceramente, não acredito que isso tenha acontecido. Eu, como fiquei sozinho naquela gaiola, passei a comer o dia todo...

Pelo que vocês podem concluir, além de tudo o que eu passei, os cientistas falam que eu estou muito gordo! É mais uma prova de que os humanos só pensam neles mesmos, enquanto nós sofremos para salvar as suas vidas!





Vicissitudes de uma hambúrguer solitária


Tainá Ferreira



“Norte Americano foi preso na semana passada em Gastônia, depois de ser flagrado em uma rua segurando um cartaz dizendo: Eu estou pensado em um hambúrguer”- originalmente “Iam thinking about a hambúrguer”



Ó vida. Ó azar. Ó triste solidão. Desde que vi, pela janela de minha casa, este norte– americano passar pela rua, sinto um certo formigamento inquietante. Não consigo tirá-lo de meus pensamentos.

Espiei no jornal de um senhor que o lia enquanto, tristemente, devorava um dos meus primos, que o homem de meus sonhos também não conseguira me esquecer.



Pior que sermos de raças diferentes, é saber que meu amado foi preso só por declarar seus sentimentos por mim em um cartaz e expô-lo para o mundo. Ó grande injustiça essa. Logo que me apaixono e consigo tirar minha última paquera de mente, meu “norte - americanozinho” é preso! Parece que não entendem o que é amor à primeira vista!



Imagine se essa moda pega? Imagine se cada homem que me vir pela janela de meu estabelecimento e se apaixonar por mim, acabe indo para a cadeia? Não, de jeito nenhum! Ai ai, por que eu tinha que ser tão bela? Se meus pais não fossem tão robustos... Existiriam muito mais homens livres, com toda a certeza.



Pobres são aqueles que caíram em meu enfeitiçador charme. Espero não machucar mais ninguém. E você, tente ficar longe de vitrines de fast-foods apetitosos como o meu lar. Sei que somos belíssimas, mas somos muito perigosas. Ai ai, quantos sacrifícios tens que fazer quando és bela!





Eu em primeiro lugar


Gabriela Moraes de U. Rodrigues



“A Defesa civil municipal já tinha atendido mais de 300 ocorrências até o início da tarde de hoje”



Uma das atendentes da Defesa Civil de São Paulo liga para a amiga:

- Lúcia, preciso te contar a catástrofe que aconteceu na minha vida!

Nisso o outro telefone toca...

- Alô, Defesa Civil, boa noite!

- ....Certo, aonde ocorreu?

- ....Sim, sei bem, vamos mandar socorro! Tenha uma boa noite, senhora.

Atende novamente a outra linha...

- Então, querida, eu queria te contar o que aconteceu... Estava andando na rua quando passei pela vitrine de uma loja e vi uma bota linda demais...

A outra linha toca e ela atende...

- Alô, Defesa civil, boa noite!

- ...Sim, então há mortes..?

- ...Houve um deslizamento, aham, certo!

- ...Sim, sim, senhor compreendo, tenha uma boa noite!

Atende então o outro telefone...

- Ufa...bom então, eu estava querendo comprar e......meu cartão estava estourando, não estava passando e eu entrei em desespero....Nossa tenho outra pra contar... Minha camiseta preferida está manchada de ketshup...Maior droga...